sexta-feira, 7 de novembro de 2014
A propaganda relativa à queda do muro de Berlim. O processo anti-democrático e senhorial que destruiu a República Democrática Alemã, sendo esta engolida pela sua congénere ocidental.
É inevitável que os regimes vencedores tentem escrever a História à sua própria medida, e a comunicação social - uma mais, outra menos - normalmente, vai atrás dessas concepções. Relativamente às comemorações, cíclicas, e de época, da queda do muro de Berlim, importa desmistificar um número generoso de ideias falsas, que se têm vindo a semear. Tanto acerca do muro em si, como das acções políticas que estiveram por detrás do seu derrube.
Os cidadãos da antiga República Democrática Alemã (DDR, em alemão), nunca foram consultados acerca do futuro do seu país, e do regime que queriam para o mesmo. Milhões de cidadãos alemães orientais, viram as suas vozes silenciadas, e ignoradas - até hoje! - como se um grupo de jovens, rebeldes sem causa, minoritários, por muitos que fossem, se comparados com a totalidade dos seus concidadãos, tivessem algum mandato de representação, atribuído por estes. Igualmente, o próprio governo da então RDA, portou-se de forma autocrática, ditatorial, ao decidir, unilateralmente, sem qualquer consulta popular, a abertura das fronteiras no muro, e, por extensão, a aniquilação da própria RDA. Tratou-se de uma operação, no seu conjunto, anti-democrática, anti-jurídica, violadora dos mais elementares princípios, direitos e dignidade, dos cidadãos da RDA. Imagine-se, - embora tal tenha vindo a acontecer, nas últimas décadas... - que um governo Português, decidia, apoiado por algumas dezenas de milhares de manifestantes, - que seriam sempre uma gota no oceano dos quase 11 milhões de Portugueses! - pura e simplesmente, desactivar Portugal, fazer desaparecer o nosso país, permitindo a nossa integração, como parte extensiva de Espanha, ou como protectorado da Alemanha, França, da União Europeia dos poderosos. Ou outra coisa qualquer.
Ora, foi isso que aconteceu na Alemanha de Leste. E, não obstante a propaganda apenas entrevistar os cidadãos que ficaram contentes com a situação, eles, até nova prova em contrário, eram uma minoria. Para além do mais, e honra seja feita aos órgãos de comunicação social, e também historiadores honestos, que nos revelam tais testemunos, houve muitos outros tantos alemães orientais, que ficaram revoltados contra o fim do seu país. É certo que não houve rebeliões violentas. O que também foi lamentável.
Em relação ao muro de Berlim, importa salientar o seguinte: na Alemanha Oriental, existiam direitos tais como: saúde e educação gratuitas, e pleno emprego. Infelizmente, por muito idealista que seja um regime, ele não consegue alterar as naturezas egoístas e parasitárias de muitos seres humanos. Ora, seria completamente injusto, e lesivo para os interesses do povo Alemão Oriental, que, imagine-se, alguém se formasse, gratuitamente, com uma licenciatura na Alemanha de Leste, e depois fosse trabalhar para uma empresa capitalista, que pagasse a peso de ouro, no Ocidente! Apenas para dar um exemplo. Ao mesmo tempo, no Ocidente - e ainda hoje, aliás, cada vez mais - e particularmente na Alemanha Ocidental, pagava-se, já nessa altura, uma licenciatura a peso de ouro. A liberdade de que se fala, parece ser alusiva, apenas, aos ricos e privilegiados. Ou classe média, na melhor das hipóteses.
O muro prevenia, igualmente, ingerências da decadência ocidental, assim como drogas, pornografia, e outras "prendas da liberdade", na vida quotidiana dos cidadãos dos países socialistas.
Sem querer com isto afirmar que se tratava de um regime perfeito, o certo é que, ele era passível de ser aperfeiçoado. E findou, de forma imperialista, anti-democrática. Engolido pelo jugo capitalista internacional. Que, agora, nos violenta a todos. Inclusivamente aqueles que pretendem ser livres de espírito, e viver no seio de uma sociedade mais digna, justa, virada para a elevação, e não para a depressão e consumismo decadente.
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